sábado, 19 de junho de 2010

Gota D´agua!

E eu aqui cercado por toda essa água do nosso lindo oceano atlântico e temendo essa inevitável gota que cairá sobre nós como se o russo apertasse o botão da bomba H.
Tudo irá voar pelos ares como se nunca tivesse sido.
E a pior parte dessa coisa de catástrofe anunciada é a espera e não o fato.
Pra pessoas apressadas como eu a espera é lâmina cortante, afiada, que rasga fundo e faz a alma abandonar o corpo.
Isso mesmo eu morro, um pouquinho, mas morro.
Porque a cada dia eu vejo o fogo diminuir e em minha cabeça a sentença:
A gente sempre acaba fazendo o que a gente quer.
Nesse caso o "a gente" é você e nem mesmo todo esse nosso amor/fogo/paixão vai te segurar aqui.
A vida e suas chuvas de situações que incomodam e mudam tudo, sempre. Mas, um sábio amigo me alertou dizendo:
O problema nunca é a chuva e sim Aquela gota. Assim mesmo com A maiúsculo, grandão.
A gota é a forma como a coisa foi dita e nunca a palavra em si.
A gota é o meu egoísmo quando você precisa de cuidado.
A gota É e o oceano todo a nossa volta serve somente de mero cenário.
E mais uma vez me vejo aqui sem nada poder fazer.
É a nossa Hiroshima que voará pelos ares e em seus destroços, na sua nuvem de fumaça se dissipará mais uma história de amor.
Guento mais não, tou fraco, tou velho, tou cansado... Moribundo.
Meu corpo e meu cérebro são escravos do meu aventureiro coração.
E clamo sofrido:

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água..."

Último gole e segue em frente...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cházinho com torradas!

E você tem assim como eu, toda uma vida, longa ou curta, não importa. Pra se preparar e quando chegam os grandes momentos para os quais você e eu nos preparamos. A gente falha.
E a gente falha até mesmo quando acerta, isso é realmente incrível!
Ao contrário dos USA que acertam até mesmo quando erram. Não que eu goste disso, mas, fato é fato inclusive quando esse fato nos desagrada.
Eu fiz um bolo de chocolate pra comemorar uma alegria,
Fiz cálculos, pesos, misturas e toda literatura sobre isso eu lia.
Misturei os ovos com a massa e adicionei leite e manteiga,
Untei a forma devagar e no sentido horário enquanto você me sorria, meiga.
O forno eu aqueci como manda o manual,
Depois derreti em fogo alto o produto do cacau.
Chocolate me lembra Tim Maia,
Que automaticamente me remete a praia.
Senhor dos sete mares...
Ah, mas ainda me viriam muitos males.
Terminado o trabalho, meu e do forno,
Fui alegre desfrutar do meu fruto, o bolo.
Que por fora estava lindo, visivelmente belo,
Mas por dentro seco, preto e um estranho tom de amarelo.
Bolo queimou, paciência torrou!
E torrado, saquei torradas da dispensa.
Passei chá e agora por favor me dê licença.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

"E agora eu choro só. Sem ter você aqui"

A vida está por um triz.
O bem sucedido negócio está por um fio da falência.
A infância dista um fio da adolescência.
A razão por pouco vira demência.
E a ira não demora pra finalizar com a clemência.
E a noite escura densa, num instante vira dia clareando ruas e crenças.
Porque não é apenas o que é bom que por um fio está.
A roda também gira pras coisas más.
Mas fato é que um dia a gente foi e hoje a gente já não é.
O que parece que sempre vai ser é o susto que essas coisas me dão.
Bate na alma feito corrente que aprisiona o coração.
Desbota o colorido, mancha o branco, em cinza pálido se transforma.
Vira lembrança o que há pouco ganhou forma.
Ontem eu sabia tudo sobre você, hoje nem consigo te reconhecer.
Você então passa e nem me vê.
Amantes, ex amantes quase mutantes, totalmente errantes.
O fato é que o meu já acostumado peito,
Sofre com dor doída a repetição desse feito.
Explico:
Olhar do lado e ver ainda quente porém vazio o leito.
E é nessa hora que amar fere feito ponta de faca.
E uma saudade danosa sepulta o que de esperança havia ainda que sofrida, penosa.
Me pergunto se eu poderia evitar.
O que eu faria?
Me pergunta uma razão calculista e fria.
Me empresta aquele disco do rei Roberto que tá logo ali.
Aquele que diz:
"E agora eu choro só. Sem ter você aqui"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Chocolate meio amargo!

Tudo o que pra mim é relevante,
Também tudo o que um dia relevante foi,
Risco, rabisco, escrevo, transcrevo.
Vira texto, nem sempre bom, nem sempre doce, quase sempre meio amargo.
Sempre foi assim e assim pra sempre será!
Meu coração sente, minha alma sofre, minhas mãos escrevem.
Quando meu peito de saudade não guenta, estoura, rebenta... Escrevo.
E as vezes que o tempo fecha, escurece, amedronta.
Escrevendo tento tornar tudo mais leve.
Escrevo por necessidade e vaidade.
Por alegria, desmedida e incontida, mas, também de tristeza.
Escrevo porque estou só e as vezes por achar que só sou.
Escrevo como quem bebe algo, água ou álcool.
Escrevo porque o papel é o meu melhor ouvido amigo.
Escrevo pra contar histórias e estórias.
Escrevo pra me sentir vivo!
Apesar de sempre ferido.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Album de retratos!

Pra provar que forte sou e de força cheio eu tava.
Abri a janela do passado pra espiar pra onde dava.
Deu pra rua lá do bosque onde eu e tu morava.
Os vizinhos em forma de carcaça ainda vasculhavam o nosso lixo.
A cachorra pulguenta e fedida ainda era o nosso bicho.
Eu vasculhei cada comodo com meu olhar de perito,
E em cada um deles meu riso, teu grito.
Mas tinha também felicidade, sexo quase do bom, cumplicidade.
Tudo isso em meio ao mofo e teias de aranha.
E esse pó todo em minha garganta arranha.
No começo dessa viagem eu forte me senti, pra logo depois perceber,
Que força nisso não há.
A verdade é que isso passou e o passado é seu lugar.
Força seria se hoje eu te encontrasse. E bem eu visse que tu ficasse.
Que tu sobrevivesse sem os meus conselhos, dinheiro e bebida.
Que é filiz a tua vida e não sofrida.
Que no emprego assinasse um bom contrato.
E que daquele tempo não guardas nem um Álbum de retratos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um Pedaço de mim!

É cobra que troca a pele, lagartixa que perde o rabo, cabelo que a gente corta e cresce e são também os amputados.
É unha que encrava dói e cai, casca de machucado, dente de leite, lágrimas doídas de uma saudade que de tão pesada esmaga o peito da gente.
O mundo tá cheio dos nossos pedacinhos e a gente tá cheio dos pedacinhos do mundo e dos outros.
Você vai embora e vai levar um pedaço meu, um pedação!
Eu vou ficar e fico fragmentado, em pedaços miudinhos, como quem foi cremado.
Besta que sou, quando amo penso que o meu amor pode tudo. Pode parar o trem, o metrô, o elevador. Pode pular das pontes, de um mundo a outro, pode estancar a dor.
E assim sigo esperando tanto dessa vida que em troca me mói feito boi ralado nos açougues fedorentos das periferias.
Sobram-me sobras, restos, rostos opacos, suor salgando a camisa, uma brasinha insistente de fim de fogueira.
Era bom que quando a gente dissesse adeus todos os sentimentos se acabassem ali naquela hora, mas, não é assim não... Demora!
E enquanto isso não passa, não se acaba, não some, passa tu, me acabo eu de saudade e de fome.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Golpes baixos!

Meu olho virado pra cima, tentava em vão o alvo e nem estava na mira.
Num era pra ser golpe certeiro, mas, de cheio encheu. Acertou, doeu.
Com meu olhar de quem frita o peixe e olha o gato, chutei o balde e acertei o saco.
Doeu, dói mesmo eu sei!
Mas daí a gente assopra, faz cafuné e denguinho e disso eu sei que tu gosta.
Além das pingas que tu toma, conta os tombos também, meu bem.
Golpe baixo é aquele que vem de baixo e em baixo pega. Quando acerta, coluna enverga, cara em careta se transforma e a gente geme e chora que é pra poder os outros rirem.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sentimentos!

Era mais fácil se não tivesse começado,
Mas, começou e começou errado.
Assim pelo avesso, atravessado, de lado.
Explicar eu não posso nem tão pouco gostaria. Porque tudo que merece explicação, sofre subtração. Perde pedaço, essência se esvazia.
Depois não adianta água de cheiro, cinema e doceria.
A palavra intencionada, amarga, guardada e fermentada finalmente foi dita, liberada, proferida.
E por ela palavra maldita o texto foi ferido, mudado, alterado e o final perdido.
As coisas terminam, sempre acabam, até mesmo quando a gente acha que nunca acabou.
Amor expira, refrigerante em lata vence, cabelos caem, pele resseca, pra tudo virar pó.
"Vira pó só"
E vira pó numa tarde quente de verão, ou numa madrugada fria após uma noite de queijos e vinhos.
Ai, vira e mexe as lembranças do que um dia fomos sacode os sentimentos que guardamos, mofados, calados, escondidos porém existentes, mas, não resistentes, porque: Amor expira, refrigerante em latas vence e o de garrafa também!
Fui tentado a dizer que refrigerantes e cabelos são recolocáveis e amores não, amores são eternos. Mas, amores são tão descartáveis quanto as escovas de quem um dia amamos.
Muitas vezes lembranças me afogavam sem que eu pudesse respirar. E mal me fazia, mal eu ficava...
Permanecer mal não posso, não quero, não é preciso!
Por isso eu pus na cara um sorriso.
E não é fabricado não, é riso flora de quem viu o Rio de cima dum avião. Passando no corcovado, voando baixo, voando baixo, sonhando alto, nas nuvens!

sábado, 22 de maio de 2010

Uma ilha em silêncio!

É um fluxo medonho, sinistro, cruel.
Os que ficam criam calos na alma e "se acostumam" com esse vai-e-vem que mais parece um vai-e-vai porque quando a gente chega nos lugares leva um tempo pra ser percebido, ser amado. E quando a gente percebe pra depois amar aqui na ilha significa que chegou a hora de também se despedir.
E vem a inevitável sensação de que a gente não aproveitou ou se curtiu o suficiente.
E gente que vai, geralmente não volta. E conhecimento que fica, se espalha e se recicla. Amanhã chegam mais dois! Avisa uma voz que se parece com a de um capataz.
Amanhã chegam mais dois significa muito mais que duas pessoas chegando amanhã. Significa que a ilha tem uma purga impiedosa, significa que o paraíso virou inferno, que sonhos viraram pesadelos, que a beleza que arrebenta retinas é insuficiente pra alimentar a barriga vazia, a alma sedenta.
Quando se anuncia que amanhã chegam mais dois aqui é que outros dois estão partindo. E partindo aqui é indo embora também, mas, é de partir o coração também.
Ameacei tecer uma lista contendo os nomes dos que por aqui passaram e me tocaram de uma forma ou de outra e a lista contém simplesmente TODOS os nomes. É uma ilha, tem isolamento que resulta numa imensa carência que sucumbe e aniquila qualquer coerência.
Esse fim de mês vai ser bem especial por aqui.
Chegarão mais dois... Mas, os dois que estão indo embora são os meus mega brothers Ronald e Tom.
É o berimbau que se cala logo depois de chorar e o chorão que se cala quando estava aprendendo a sorrir e curtir seu título de professor.
E eu que fico cumprindo meu papel de mero espectador.
Álcool forte nessas horas ajuda. Escrever ajuda. Fotografar ajuda. Esperança ajuda.
Amanhã, mais dois!
Depois?....?