quarta-feira, 8 de julho de 2009

A colheita!


O amor é algo grandioso, ousado, sacudido e arriscado. E geralmente não perdoa os covardes e os pune com longos períodos de seca, desdém e uma vida no calabouço.
Na minha estrada eu nunca tive um banquete de amor, apenas migalhas caídas de mãos descuidadas, sobras do amor que alguém desprezou. Mas, a culpa não é do amor e sim minha, pois sou do tipo que teme investir todas as minhas sementes num só solo e me contento com o mínimo das migalhas do caminho.
E ai não tem outra, quando chega a hora de colher é pura matemática. Quem pouco plantou, pouco colherá, quem muito plantou, muito colherá, quem nada plantou que se dane, oras!
Estou aqui observando um vasto campo onde poderia estar o meu pomar e só vejo pó e nada de mar. Não vejo vida nem verdes paragens.
Quando eu era pequeno tinha uma propaganda que dizia: adubando dá!
Não adubei e ninguém deu, OOOOOps!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Tudo estava bem!


É verdade eu nunca dei muita bola pra essa coisa de arrumação de casa, troca de móveis e aspirador de pó.
E em meio aos meus livros, discos e filmes encontrei sua foto, num dia de sol no calor de Floripa a ilha do amor.
Aquela viagem foi surreal, bacana merrrmo, mas, nós não sobrevivemos a ela e descobriríamos depois que ela (a viagem), foi uma tentativa de ressuscitação de algo que não mais agonizava, já cheirava mal.
Mas, fotos impressas são o meu ponto fraco (mais um)? e a minha memória teimosa só consegue lembrar do que foi bom.
E me diz ai, como é que você vai? fiquei sabendo que se separou... Eita coisinha ligeira essa né? nem disfarço e já quero saber se dá pra rolar um flash back.
Eu tenho a impressão que não mudei em nada, só de endereço e que no antigo deixei a maior parte do meu couro cabeludo.
Foi bom te encontrar, vamos marcar qualquer dia pra tu ir em casa...
Cara, isso nunca acontece "marcar qualquer dia"...
Mas, como foi bom te ver!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Reincidência!

Eu aprendi a não ter cuidados para evitar o amor.
Deixo que ele venha, me atropele e me atropele de novo, quantas vezes ele quiser. Pois só assim, cheio de hematomas e dores eu me sinto vivo, ou melhor, me sinto no papel para o qual fui criado: Amar.
Se você pudesse enxergar a minha alma hoje veria apenas as ataduras, a boca, o nariz e um par de olhos sedados pelo amor. Os olhos aliás, esses você pode ver sim e eles estão gritando.
E é assim todo arrebentado como se uma locomotiva me tivesse jogado longe dos trilhos da vidinha pacata e comum dos não amantes, que caminho torto, manco, quase mutilado de volta a conhecidos braços que outrora me afagaram.
Calma benzinho tô indo... É o calcanhar que tá doendo. Antes era o cotovelo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Da tundra ao páramo!

Vivendo como se estivesse em uma máquina de lavar, num daqueles processos que tem bastante caldo e depois centrifugação, agentes quimicos e altas temperaturas, ela arrumava a sua mala, cansada, fatigada, cheia de toda aquela tola excelencia que tudo a sua volta exigia.
Gaveta após gaveta ela ia abrindo e de lá lembranças de uma parca felicidade lhe acenavam em sorrisos amarelados de uma gente mal vestida.
O tempo passou, passou pra todos e a impressão que se tinha é que uns fizeram melhor proveito dele do que outros.
Pegou papel e caneta e esboçou um bilhetinho azul.
Um copo, gelinho e uísque, pronto! on the rocks... Fumou, porque nessas horas fumar faz bem!
Desistiu do bilhete por achar que ninguém se interessaria pra onde ela estava indo, se pro Alaska ou pra forca. Ninguém se interessa por ela.
As lágrimas lhe faltaram, por falta de força, ou por achar que nem isso valeria a pena. Mas, criou coragem, voltou ao bilhete e escreveu assim:
A quem interessar possa:
Não me chamo mais Adelaide e nem moro mais aqui. Essa mala, também não a quero mais. Não são minhas essas coisas e eu muito menos sou delas.
Um ok pra você Frederico, você sempre esteve certo, ufa! que alivio...
De tanto lhe avisar que esse homem não prestava hoje me sinto culpada por seu marido lhe bater Fernanda, desculpe.
No mais, tudo foi um enorme engano. A coisa toda saiu do eixo logo cedo. Por isso mesmo, vou recomeçar. Afinal, estou com 102 anos apenas e tenho muito o que fazer.
Com amor, uisque, cigarro e rancor.
Louis Lane.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Delírios em profusão!

Das tantas noites mal dormidas,
Dos rios de suor que transbordei,
Das batalhas que lutei,
As que ganhei e as que perdi.
Do vinho que tornou tudo suportável,
Das estradas percorridas em vão,
Da falta de fé e do excesso de pão,
Das cordilheiras, corredeiras e do pó,
Sou só eu, só eu, só.
Das multidões que me serviram de refúgio,
Dos grãos de areia, da praia de Candeias,
De mais acima e um pouco mais além.
Do norte ao sul, no leste, no oeste e no faroeste.
De onde for,
De onde vier.
Bate-me, abate-me!
Dos passos que me trouxeram até aqui.
Dos meus delírios em profusão.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Aqui Jaz, logo ali Jazz!

Venho aqui lhes comunicar que morri.
Descobri ontem que vago vida a fora feito alma penada, favor não confundir com zumbis, pois, esses emitem sons, fazem cara de mal e assustam as pessoas, eu não, eu sou uma espécie de Gasparzinho, só que sem a graça do simpático albino voador.
Mas, eu morri!
Morri quando desisti dos meus sonhos, quando dei ouvidos as criticas descabidas, quando deixei que os problemas escrevessem a minha história, quando não percebi o amor, o sorriso e a flor.
Morri todas as vezes que quis cumprir a lei a qualquer custo, quando ignorei o drama alheio, quando me enchi de mágoa e rancor, quando gastei meu tempo tentando revidar em quem me bateu.
Morri quando aceitei as conseqüências como perpétuas, quando desisti de lutar, quando me vi frágil, fatigado e muito longe de casa e daquilo onde eu esperava estar.
Morri lenta e indolormente...
Morri de covardia, de estupidez e empáfia. Morri de medo e de vergonha, morri a cada gole e também morri na falta deles. Morri no silêncio, no barulho e no descaso. Morri e não fui chorado, nem bebido, antes, duramente criticado.
Hoje meu rosto é pálido, meu cheiro é ruim, meus olhos sem vida e eu, eu não sinto o aroma das mais belas rosas.
O que eu faço das 24 horas de cada dia? Me apavoro com elas, as desperdiço, uso-as de maneira irresponsável.
Mas, só ontem eu percebi que havia morrido e isso me deu uma saudade danada da vida.
Fiquei lembrando quando o gesso do fatalismo não me servia não me afetava. Lembrei até de como eu gostava de desafios e um pouco antes de como eu os provocava.
Lembrei das minhas conversas com a lua e de quando contava estrelas na praia na companhia de alguém querido.
Lembrei que é São João e o cheiro do milho invadiu as minhas putrefatas narinas. Me vi dançando uma quadrilha arretada, casando, sendo o padre ou simplesmente numa calça com remendos estranhos e modernos.
Senti a leveza da vida como sentem os miúdos, os pequeninos, as crianças...
Ah, eu quero renascer, ressuscitar, voltar a viver!
Quem quer que tenha sido, por favor, devolva os meus sonhos. Pois entre ser confundido com um chato ou um bobo eu prefiro o bobo.
Aromas e paladares surgem em meu nariz e boca. Revisito o espelho e percebo centelhas de vida a minha volta, as costas estão leves, vou voar, vou voar...
Não posso lamentar o meu tempo de necrópole, isso seria perder mais tempo, agora eu vou mesmo é viver!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pedras não dão leite!

Subestimar alguém é uma atitude muitas vezes catastrofica e superestimar é tão danosa quanto.
Pra um cara como eu que insiste em viver a vida nos extremos cometer esses erros é como ir ao shopping comprar um All Star preto com estrelas brancas, ou seja, molinho.
Desnecessário dizer que vivo quebrando a cara tanto num lado como no outro, pois subestimados vivem me surpreendendo e os super...
Aliás, essa coisa de super é bem legal no cinema e nos gibis. Aqui na vida real não funciona muito bem.
Outro dia falei aqui sobre ser surpreendido e disse que gosto disso, mas, quando você espera algo a mais e vem bem menos é o tipo de surpresa que eu dispenso.
Por outro lado a vítima da minha super expectativa é um ser injustiçado porque muitas vezes nem queria ser considerado super, mas, o papai aqui é quem manda e de repente você é super e pronto! E logo em seguida você é sub e pronto também oras!
Estou custando a entender que essas categorias não cabem no nosso mundo, humanos são complexos e nem um milhão de anos será capaz de nos explicar. E nem três milhões de anos seria suficiente pra eu entender os humanos. Porque também não faço a menor idéia de quem serei no dia de hoje.
Homo sapiens?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dança comigo?

A tensão sinistra que envolve esse casal e sua silhueta um tanto macabra despertou em mim um desejo quase voraz por uma dança hoje a noite.
Nunca fui um pé de valsa, mas, essa cena despertou em mim um desejo quase maluco de sair por ai chamando mocinhas pra dançar em bailinhos nem sempre inocentes.
E quando isso acontece eu não consigo ficar parado e já tomo as minhas atitudes e claro por elas sou atropelado.
Liguei pra garota mais linda que conheço e nem parecia que fazia uns 3 anos que a gente não se falava fui logo convidando ela pra sair e pra dançar.
Ela foi muito simpática e perguntou se podia levar o marido e seus 2 filhos juntos. Em seguida me alertou que devido a quantidade de crianças que pôs no mundo ela já não ostenta aquele corpo do passado e que se eu não reparei aquelas fotos estão no Orkut a mais ou menos uns 4 anos.
Que foto maldita essa!
Acabou com uma das minhas ultimas musas, me expôs ao ridiculo e eu nem sei dançar...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Que apito você toca?


Cada dia que se passa percebo mais e mais que gêneros não me interessam.
Recentemente descobri alguns gêneros da escrita e ainda prefiro a expontaneidade livre dos versos gritados e agoniados daqueles que escrevem como quem sente dor e alívio também, claro.
Na musica comecei pelo velho e bom rock´n´roll e hoje percebo que não tem clubinho mais exigente e dificil de se entrar no que o do rock.
Filmes, livros, etc. criamos os gêneros e viramos escravos deles. A criatura comandando seu criador.
Portanto a pergunta: Que apito você toca? não me cabe e eu tão pouco caibo nela.
O máximo que chego perto dela é no carnaval que sempre consigo um apito pra soprar nos dias de folia.
Definitivamente, gêneros não me interessam!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Surpreendido!


Não sei você mas eu gosto de ser surpreendido, embora quase sempre eu fique com cara de tabaca lesa por um tempinho, correndo o risco de parecer mais bobo do que de costume. E a surpresa que eu mais gosto é aquela que vem do meu objeto de menosprezo.
O cavalo que parecia um pangaré e ganha o páreo.
O garoto franzino de óculos que fica com a gata da festa.
Quando a gente fala uma frase em inglês pra parecer interessante e o garçon completa sorrindo com uma expressão que a gente não conhece e com sotaque californiano.
E isso vive acontecendo comigo, talvez pra não me deixar esquecer que não sou melhor do que ninguém, embora eu viva como se fosse...
Cheguei numa beira de mar onde as ondas lambiam o asfalto sentei com dois recentes amigos, latinhas de cerveja e varas de pescar. Apostei com eles que de primeira pescaria um sapato, joguei a vara algo mordeu a isca e lutamos ali por alguns minutos que pareceram horas. Venci a luta contra o peixe e o peixe me ensinou de novo a lição que não devo menosprezar lugares, pessoas e nem mesmo a mim (pois é eu tb ñ escapo do meu próprio julgamento).
E essa foi a primeira (hi)estoria de pescador.