terça-feira, 8 de junho de 2010

Album de retratos!

Pra provar que forte sou e de força cheio eu tava.
Abri a janela do passado pra espiar pra onde dava.
Deu pra rua lá do bosque onde eu e tu morava.
Os vizinhos em forma de carcaça ainda vasculhavam o nosso lixo.
A cachorra pulguenta e fedida ainda era o nosso bicho.
Eu vasculhei cada comodo com meu olhar de perito,
E em cada um deles meu riso, teu grito.
Mas tinha também felicidade, sexo quase do bom, cumplicidade.
Tudo isso em meio ao mofo e teias de aranha.
E esse pó todo em minha garganta arranha.
No começo dessa viagem eu forte me senti, pra logo depois perceber,
Que força nisso não há.
A verdade é que isso passou e o passado é seu lugar.
Força seria se hoje eu te encontrasse. E bem eu visse que tu ficasse.
Que tu sobrevivesse sem os meus conselhos, dinheiro e bebida.
Que é filiz a tua vida e não sofrida.
Que no emprego assinasse um bom contrato.
E que daquele tempo não guardas nem um Álbum de retratos.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um Pedaço de mim!

É cobra que troca a pele, lagartixa que perde o rabo, cabelo que a gente corta e cresce e são também os amputados.
É unha que encrava dói e cai, casca de machucado, dente de leite, lágrimas doídas de uma saudade que de tão pesada esmaga o peito da gente.
O mundo tá cheio dos nossos pedacinhos e a gente tá cheio dos pedacinhos do mundo e dos outros.
Você vai embora e vai levar um pedaço meu, um pedação!
Eu vou ficar e fico fragmentado, em pedaços miudinhos, como quem foi cremado.
Besta que sou, quando amo penso que o meu amor pode tudo. Pode parar o trem, o metrô, o elevador. Pode pular das pontes, de um mundo a outro, pode estancar a dor.
E assim sigo esperando tanto dessa vida que em troca me mói feito boi ralado nos açougues fedorentos das periferias.
Sobram-me sobras, restos, rostos opacos, suor salgando a camisa, uma brasinha insistente de fim de fogueira.
Era bom que quando a gente dissesse adeus todos os sentimentos se acabassem ali naquela hora, mas, não é assim não... Demora!
E enquanto isso não passa, não se acaba, não some, passa tu, me acabo eu de saudade e de fome.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Golpes baixos!

Meu olho virado pra cima, tentava em vão o alvo e nem estava na mira.
Num era pra ser golpe certeiro, mas, de cheio encheu. Acertou, doeu.
Com meu olhar de quem frita o peixe e olha o gato, chutei o balde e acertei o saco.
Doeu, dói mesmo eu sei!
Mas daí a gente assopra, faz cafuné e denguinho e disso eu sei que tu gosta.
Além das pingas que tu toma, conta os tombos também, meu bem.
Golpe baixo é aquele que vem de baixo e em baixo pega. Quando acerta, coluna enverga, cara em careta se transforma e a gente geme e chora que é pra poder os outros rirem.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sentimentos!

Era mais fácil se não tivesse começado,
Mas, começou e começou errado.
Assim pelo avesso, atravessado, de lado.
Explicar eu não posso nem tão pouco gostaria. Porque tudo que merece explicação, sofre subtração. Perde pedaço, essência se esvazia.
Depois não adianta água de cheiro, cinema e doceria.
A palavra intencionada, amarga, guardada e fermentada finalmente foi dita, liberada, proferida.
E por ela palavra maldita o texto foi ferido, mudado, alterado e o final perdido.
As coisas terminam, sempre acabam, até mesmo quando a gente acha que nunca acabou.
Amor expira, refrigerante em lata vence, cabelos caem, pele resseca, pra tudo virar pó.
"Vira pó só"
E vira pó numa tarde quente de verão, ou numa madrugada fria após uma noite de queijos e vinhos.
Ai, vira e mexe as lembranças do que um dia fomos sacode os sentimentos que guardamos, mofados, calados, escondidos porém existentes, mas, não resistentes, porque: Amor expira, refrigerante em latas vence e o de garrafa também!
Fui tentado a dizer que refrigerantes e cabelos são recolocáveis e amores não, amores são eternos. Mas, amores são tão descartáveis quanto as escovas de quem um dia amamos.
Muitas vezes lembranças me afogavam sem que eu pudesse respirar. E mal me fazia, mal eu ficava...
Permanecer mal não posso, não quero, não é preciso!
Por isso eu pus na cara um sorriso.
E não é fabricado não, é riso flora de quem viu o Rio de cima dum avião. Passando no corcovado, voando baixo, voando baixo, sonhando alto, nas nuvens!

sábado, 22 de maio de 2010

Uma ilha em silêncio!

É um fluxo medonho, sinistro, cruel.
Os que ficam criam calos na alma e "se acostumam" com esse vai-e-vem que mais parece um vai-e-vai porque quando a gente chega nos lugares leva um tempo pra ser percebido, ser amado. E quando a gente percebe pra depois amar aqui na ilha significa que chegou a hora de também se despedir.
E vem a inevitável sensação de que a gente não aproveitou ou se curtiu o suficiente.
E gente que vai, geralmente não volta. E conhecimento que fica, se espalha e se recicla. Amanhã chegam mais dois! Avisa uma voz que se parece com a de um capataz.
Amanhã chegam mais dois significa muito mais que duas pessoas chegando amanhã. Significa que a ilha tem uma purga impiedosa, significa que o paraíso virou inferno, que sonhos viraram pesadelos, que a beleza que arrebenta retinas é insuficiente pra alimentar a barriga vazia, a alma sedenta.
Quando se anuncia que amanhã chegam mais dois aqui é que outros dois estão partindo. E partindo aqui é indo embora também, mas, é de partir o coração também.
Ameacei tecer uma lista contendo os nomes dos que por aqui passaram e me tocaram de uma forma ou de outra e a lista contém simplesmente TODOS os nomes. É uma ilha, tem isolamento que resulta numa imensa carência que sucumbe e aniquila qualquer coerência.
Esse fim de mês vai ser bem especial por aqui.
Chegarão mais dois... Mas, os dois que estão indo embora são os meus mega brothers Ronald e Tom.
É o berimbau que se cala logo depois de chorar e o chorão que se cala quando estava aprendendo a sorrir e curtir seu título de professor.
E eu que fico cumprindo meu papel de mero espectador.
Álcool forte nessas horas ajuda. Escrever ajuda. Fotografar ajuda. Esperança ajuda.
Amanhã, mais dois!
Depois?....?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Roda viva!

A gente muda que é pra vida mudar. E quando a vida muda, bate uma saudade danada da vida que a gente acabou de abandonar.
E eu tava bem assim; me sentindo muito só. Bem longe de tudo aquilo que eu entendia ser a minha vida. Viagens, avião, bus, trem, correria e depois de oito dias mar adentro eu fui parar.
A não sei quantos graus de latitude não sei da onde, olho pro céu e me espanto. São estrelas, planetas, cometas, astros e eu aqui ainda me sentindo muito só.
O vento cortava a ilha ao meio balançando as folhas e agitando o mar. Meu ouvido, sempre atento e amigo distinguiu que lá de longe vinha um som dum Birimbá.
Pernada pra lá, pernada pra cá.
Meia lua, martelo, caxixi e jogos de brincar.
E o birimbau?
Ah, esse quando canta "invade minha alma!"
Encontrei uma turma boa. Percussão poderosa, alegria vigorosa e a capoeira como novo amor.
Conheci os mestres sem cordas, os professores sem títulos, os sábios sem estudos. Bebi dessa fonte que rola simplicidade e simpatia.
Joguei feito um menino folia. Alegria, alegria aportou em meu coração que dá dentro do meu peito mortais de euforia quando a baqueta bate no cordão.
Reconheci naquela roda meu amigo Ronald que com sorriso sempre me recebeu. E incansável me ensinou a lidar com o dobrão.
Cabaça na barriga trás o som do coração!
E esse garoto levado lá de Igarassu vai levando pra capoeira o Tom, o Jerry, a mim e vai levar também tu.
Naquela noite ao sair daquela roda em minha cabeça rodava: "Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião, o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração"
E a vida que eu queria que mudasse de fato mudou.
Saudade da velha não tenho mais.
Capoeira tu és meu novo amor!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Musica ruim, cerveja quente e bagaceira!

Musica ruim é insuportável.
Cerveja quente, intragável.
E bagaceira, assusta.
É engraçado como essas coisas sozinhas causam furor, indignação e repúdio por parte da maioria. Mas, experimente juntar as três. Jogue ainda um pouco de sacanagem e retire qualquer resquício de pudor e você terá uma festa e tanto.
Aqui na ilha (Noronha) tem umas duas baladas bem do tipo: pra inglês ver! aquelas coisas fabricadas sem muita emoção, mas, que servem pra galera se pegar e dar uns beijos.
Me serviu na primeira e na segunda vez, depois disso não me serve mais.
Mas, ao contrário do que muita gente pensa a ilha tem vida própria e em alguns cantinhos obscuros e ermos rola um brega rasgado e uma filicidade pra lá de contagiante.
Sou frequentador/defensor e entusiasta do Bar da Dice (assim mesmo sem o R) a verdade levada a sério.
Lá música ruim, cerveja quente e bagaceira é a mistura mais que perfeita pra um povo que rala a semana inteira e que no sábado a noite esquece toda essa chatice da vida, se transformando num público animado, vigoroso, disposto, colorido, muito bebado e alucinado/alucinante.
Lá não tem faixa etária, opção sexual, cor, posição social, mas tem muita posição sexual, sexo e exposição!
Lá toca Wando, Magal e o DJ de maior sucesso que pinta por lá é um carinha (esqueci o nome dele) lá de Nova dez (nova descoberta um bairro muito pobre do meu Recife querido).
A sensualidade pipoca em forma de corpos ardentes na pista da Dice e o melhor, ela, a Dice existe em carne e osso e despacha (atende) no balcãozinho do bar até as 8,9,10 ou meio dia do domingo.
O som lá é alto, a mistura dos perfumes entorpece, o colorido daquelas roupas todas confunde e tudo isso junto é uma cachaça que vicia enquanto diverte a mente de gente como eu que passei toda uma vida evitando as manifestações mais auntênticas desse povo tão querido que é o povo brasileiro.
Quando você vier a Noronha, reserve seu sábado a noite e passe na Dice. Certamente por lá mesmo você irá ficar. E não vá só. Me chame, caso isso não aconteça, a gente se encontra por lá.
Viva Dice Bar um lugar onde a verdade é levada a sério!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Registrando a vida!

Eu tenho a memória muito fraca, por isso escrevo. Escrevo pra ler e reler depois, lembrando das coisas, pessoas e lugares.
Quando a fotografia ainda era analógica eu fiz curso de foto, comprei uma Rebel, me meti no estúdio do meu amigo André Moura pra ser seu assistente, cliquei Sampa em dias de chuva, cliquei as estradas que nos tiravam e nos levavam pro seu denso caldo, varei calçadões com seus skatistas. Diminui a luz, aumentei o ISO, obturador, diafragma...
Daí veio a digitalização e eu dino (dinossauro) que sou resisti burramente aos avanços inevitavéis da tecnologia.
Larguei a fotografia. E amarelou meu portfolio... Mofou todo o meu equipamento. Embaçou geral o meu olhar.
Alguns (muitos) anos depois, fui presenteado pelo meu amigo Daniel Villaça com uma Canon 10D a primeira máquina digital da Canon. E tudo o que aconteceu depois disso foi magia pura.
E eu ela estávamos congelados. Esperando um pelo outro.
E o meu olhar embaçado, desembaçou!
E como se fosse um castigo é ela que está comigo, a mesma que no passado me afastou.
Tou feito menino besta com brinquedo novo. Eita como é bom ver a vida pelo angulo de uma camera!
E escrever agora não me basta. Fotografar é preciso!
Diga Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiissssssssssssssss!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

É mais fácil dar errado!

Era pra sair feito um som do Fábio Jr. aqueles que os descolados ouvem, gostam, mas nunca admitem.
Era pra ser uma aquarela de cores vibrantes, matizes vivas, belas, cintilantes. Ia ter também muito sorriso, muita festa e casa sempre cheia.
A gente ia dividir tudo, meio-a-meio, rachar a coisa toda.
E de repente, subtamente surgiu descarrilhado e louco o trem do "destino". Virando, mexendo, batendo e sacudindo toda a nossa intenção de ser filiz.
E tudo aquilo que sonhamos pesadelo virou. E ganhamos duas passagens pra destinos tão diferentes, tão opostos que tudo aquilo que temos em comum não foi capaz de segurar.
Eu Oiapoque, você Chuí...
E aqui e-mail não vai, msn trava, ligações caem... Vazio e silêncio imperam!
Talvez no universo de histórias que tem por ai a nossa seja apenas mais uma. Mas, dói como única.
Ainda me resta uma centelha fraca de esperança cansada. E o que resta de folego gasto assoprando essa brasa pra ela não apagar.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ela se desarrumou pra mim!

Meu peito de medo carregado, pesava na caixa torácica feito chumbo derretido, quente, afligido.
Meus olhos, buscava revê-la ao mesmo tempo que mentiam uma tranquilidade inventada, ensaiada, falsa!
De repente voltou o tempo, o sentimento, a ilusão. Petardo em cheio no peito, soco sem luva na nuca, chão, lona, nocaute de amor que dói demais e que deixa tonto por muito tempo.
Envolta em vestes rotas, cabelinho safado, maltrado, triste... Ainda assim era tu em carne e osso e minha alma não conseguiu resistir. Tremeu forte lá dentro que balançou meu esqueleto.
E eu sentia um cheiro forte, perfumado, gostoso no vento. Enquanto tu me garantia que tava sem perfume.
É verdade que eu percebi que você tava feinha feito uma cama desarrumada, mas, o que importava é que você tava bem ali, em minha frente, fazendo o que sabe fazer melhor: Inspirar meus sonhos e contos.
Uma noite depois, tato na teta que você pediu pra eu apertar mais forte...
E descobri assim feito um Colombo do amor. Que coisa estranha, inusitada aconteceu. Você se desarrumou todinha pra mim. E ao tocar em peito seu, foi o meu que derreteu!